Como os leitores sabem, eu fiz algumas aulas com a Stephanie na época da gravidez. Ela é francesa e tem mais de 30 anos trabalhando com casais grávidos. As aulas foram maravilhosas e adoro poder dividir com os amigos o que aprendi com ela. As minhas amigas com filhos menores sempre me consultam. Um colega de trabalho brinca comigo e diz que eu deveria ganhar dinheiro com essas consultorias. Mas, prefiro dividir esse conhecimento sem cobrar! Rs! Faço por amor à vida! Para ajudar as mamães a garantirem um início de vida sem tantas complicações para os seus bebês!
Você está com problemas para amamentar? Pois é, para alguns a amamentação é uma tarefa simples, sem grandes complicações, mas para outros... É uma tarefa árdua que requer muita calma para não entrar em desespero.
Recentemente, uma amiga passou por momentos difíceis nesse início da amamentação e me ligou. Fiquei motivada e resolvi escrever esse post sobre duas preocupações que, normalmente, assombram as mães durante a amamentação: bico rachado e quantidade de leite produzida.
Eu conheço mães que tiveram os seus bicos rachados e que as lágrimas de dor escorriam enquanto amamentavam e mães que, logo no segundo mês, passaram a complementar as mamadas com NAN, pois os bebês não paravam de chorar, ou seja, não se satisfaziam com a quantidade de leite que as mães produziam, tinham fome. Não passei por nenhuma dessas situações acima, mas posso imaginar o desespero de uma mãe tentando amamentar o seu filho recém nascido, mas não sabendo como sair dessa situação. A produção do meu leite diminuiu no 3º mês, mas tomei as providências necessárias e tudo deu certo!
Então, espero que as dicas abaixo ajudem as mamães a amamentar, EXCLUSIVAMENTE, até os 6 meses de vida dos bebês. Elas ganham e os bebês também!
Bico Rachado
A preparação dos seios é a primeira preocupação, ainda durante a gravidez. Você ouve de tudo: usar a pomada Massê, esfregar o bico com bucha ou toalha, colocar casca de banana, colocar manteiga, usar a pomada Lasinoh, tomar banho de sol e etc. O pior é que muitas dessas sugestões são os médicos que dão. Mas o quê efetivamente é válido?
É importante você saber que, no início, o bebê tem necessidade de sugar e isso não necessariamente é sinônimo de fome. Esse excesso pode contribuir para esfolar o bico do peito. Outra situação que também contribui é a pegada errada do bebê. O bebê deve abocanhar o bico e a aureola do peito. Não deve chupetar apenas o bico. Mas isso tem que ser ensinado para ele desde a maternidade. Se perceber que ele está só no bico, tire-o, deixe ele abrir a boca chorando e, ainda de bocão aberto, coloque-o de volta no peito.

Mas, mesmo que você ensine a pegada certa para o bebê, é muito natural que o bico se esfole. Até por que o bico nunca havia sido estimulado dessa forma. Seu bico está esfolado? Pois é, várias amigas usaram a Lasinoh e não adiantou em nada. Na realidade, a única sugestão válida dessas que eu ouvi é a de banho de sol no bico. Ficar com os seios expostos dez minutinhos no sol antes das 10 horas, cicatriza. Você pode colocar filtro solar envolta do bico, mas não no bico. Mas e se você não tiver como colocá-los ao sol...Como eu já falei num post anterior, você pode achar estranho, mas você vai querer recorrer à famosa pomadinha de gordura de picanha da Stephanie. Ela participou de um congresso na Inglaterra e descobriu o que impede o bico rachar. Ela não comercializa o produto, mas oferece, gratuitamente, para quem participa dos seus cursos. Deixa a Lasinoh no chinelo!
Levei essa pomadinha para a maternidade e apliquei antes mesmo de começar a esfolar. Essa decisão foi super acertada, pois o bico do peito ameaçou esfolar, mas não esfolou. No 3º dia em casa já não precisei mais usar a pomada. Acabei distribuindo entre as amigas que tiveram problema. Aliás, eu ia me esquecendo... da cocha.
Uma amiga, usou a pomadinha de picanha melhorou, mas não curou. A Stephanie alertou que ela deveria também alterar o tipo de concha. Foi mudar a concha e usar a pomadinha... àquilo que parecia impossível aconteceu: amamentou sem dor!
A concha auxilia ainda a cicatrização de rachaduras, proporcionando alívio imediato. O mamilo fica na posição normal, arejado, sem ser amassado, e livre dos atritos com o sutiã. A concha possui um reservatório interno muito eficaz, que ajuda a evitar o vazamento na roupa e, além de ajuda a evitar que a mama fique muito cheia e dolorida, pode ser esterilizada e funciona também armazenando o leite.
Mas não pode ser qualquer concha, tem que ser a de base rígida. A mais indicada é a
Salvemilk.
A concha pode ser utilizada antes do parto, a partir de 36 semanas (um mês antes do parto), para ajudar na formação do bico ajudando os mamilos planos, curtos ou invertidos, deixando-os mais salientes, facilitando a sucção pelo bebê.
De qualquer forma, se você não usar antes do parto, é importante iniciar o uso da concha logo após o parto. É recomendado que a mãe use a concha durante todo o período que estiver amamentando e retirar para dormir e tomar banho de sol
Quantidade de Leite Produzida
Nos primeiros dias após o nascimento, a mãe ainda não produz leite, ela produz o colostro. Colostro é amarelo, transparente, levemente salgado e com aparência aguada. No entanto tem maior valor nutritivo que o próprio leite e transmite ao bebê anticorpos da mãe, protegendo-o contra algumas doenças.
A questão é que, normalmente, as mães ficam preocupadas achando que não tem leite e entram em desespero. Deve-se deixar o bebê mamar logo após o nascimento e sempre que ele pedir. O ato da sucção é o estímulo fundamental para a produção do leite, independente do tipo de parto. O leite pode demorar alguns dias. A produção do leite propriamente dita pode demorar de 2 a 12 dias. Por isso, não se preocupe. Para você ter uma idéia... 5 minutos de colostro = 1 colher de café de colostro uma quantidade suficiente para o bebê ficar alimentado até 4 horas. O bebê nasce preparado para enfrentar este período pré-lácteo, e que não é necessário dar mamadeira, a não ser que a perda de peso exceda a 10% do peso de nascimento.
Somente o pediatra poderá avaliar se esta perda está dentro do normal ou além do esperado. A mãe deve esperar com tranqüilidade e sob orientação médica o aparecimento do leite. É ideal amamentar o bebê logo que nasça, antes da primeira hora de vida, e fazer isso sempre que ele queira, tanto de dia como de noite.
Depois de alguns dias o colostro vai clareando e tornando-se mais opaco, até chegar ao leite materno, que é definitivo.
Outro problema comum e que também preocupa as mães é a apojadura, descida do leite. Ela ocorre entre 2 à 7 dias depois do parto. Se desce muito leite, a mama fica muito ingurjitada e o bebê não consegue abocanhar. A aréola deve estar molinha e palpável. Se estiver dura e esticada, o bebê não consegue mamar. Nesse caso o leite deve ser retirado. Os seios ficam doloridos, cheios e há, muitas vezes, possibilidade de ter febre. Então, a Stephanie sugere passar gelo, massagear, em movimentos circulares, começando pela aréola, e a fazer a ordenha manual. No meu caso, eu não tive febre, mas tive que faze isso 3 vezes durante a amamentação. Duas vezes foi durante a descida do leite a outra vez foi quando pulei uma mamada.
Não dê nenhum tipo de líquido, somente o leite de peito, e mesmo que haja calor, o primeiro leite que sai do peito é bem aguado e sacia a sua sede. O segundo leite é a “comida”. Por isso que, dependendo da quantidade de dias que o bebê tenha, não se deve trocar os seios na mesma mamada. Se não ele vai beber “água” de um peito e “água” do outro. Darei detalhes sobre a rotina das mamadas em outro post.
Na realidade, cada ingrediente do leite materno entra na medida exata da necessidade da criança. Isso significa que o leite vai se transformado à medida que a criança vai crescendo.
Poucas situações são capazes de secar o leite - e, quando isso acontece, o stress costuma ser o grande culpado. Afinal, das glândulas supra-renais de uma pessoa estressada jorra uma grande quantidade do hormônio adrenalina, que alguns cientistas apontam ser capaz de inibir a síntese de outra substancia, a prolactina - a responsável pela linha de produção do leite humano.
A ansiedade dos indivíduos que estão diretamente se relacionando com a criança pode contribuir para sintomas como cólicas, diarréias, vômitos, broncoespasmos e distúrbios do sono. Achei um artigo no site da
UNESP com detalhes sobre como o leite é produzido e sobre a importância do estado físico e emocional dos que se relacionam diretamente como bebê.
No Brasil, sabe-se que metade das mães deixa de amamentar no segundo mês, quando o ideal seria aos 6 meses. É importante frisar que não existe leite fraco, o que pode ocorrer é a mãe produzir pouco leite. Os médicos e a sociedade estimulam o complemento nesse caso. Entretanto, sabemos que nada se iguala aos nutrientes do leite materno.
Para tudo há uma alternativa e poucos sabem que é possível aumentar a capacidade de produção de leite sim! Você lembra da figura das Amas de Leite ? Pois é, às vezes, as escravas não tinham engravidado, mas, ao colocarem um bebê para sugar-lhes os seios todos os dias em intervalos regulares, estimulavam a produção de leite depois de uma ou 2 semanas. A Stephanie consegue fazer com que mães adotivas produzam leite! Então, se você amamentar e perceber que seu filho ainda não está satisfeito, procure se informar! Tem solução sim! Requer dedicação e disciplina, mas vale à pena!
Uma opção interessante que a Stephanie sugere para as mães com pouco leite é o uso do
Mamma Tutti. Com ele você continua amamentando enquanto o bebê recebe o complemento sem preceber. E, com isso, a sucção do bebê auxilia no aumento da produção de leite.
Passei por uma situação de diminuição de leite, mas foi NÃO foi no início da amamentação. Eu mesmo levei um susto! Eu estava estudando para um concurso e estava bastante ansiosa. Essa agitação interferiu na minha produção de leite. Mas como eu descobri?
Minha filha tinha 3 meses de vida e começou a acordar no meio da noite chorando. Ela dormia a noite inteira desde 40 dias de vida. Mas ela começou a acordar sem explicação, aí eu dava o peito e ela voltava a dormir. Fiz isso durante 3 dias. Achei, inicialmente, que ela estava entrando na fase conhecida como impulso do crecimento. Mas aí... fiquei menstruada! Logo deduzi que a produção de leite tinha diminuído por causa da menstruação. Liguei para a minha querida guru, Stephanie, e ela me explicou justamente o contrário. A produção diminuiu e, por isso, fiquei menstruada. Eu já seguia as orientações da Stephanie e tomava muito líquido, tomava ainda cápsula de alfafa (3 a cd refeição totalizando 9 cápsulas ao dia) e
Chá da Mamãe (Weleda). Ela sugeriu ainda um tratamento infalível: tomar plasil nas refeições (3 comprimidos por dia) durante 5 dias consecutivos, parar de tomar 3 dias e voltar a tomar por mais 5 dias. Fiz isso até a Malu parar de mamar. Não fiquei com sono e, mesmo que eu ficasse... eu queria amamentar o máximo possível.
A minha idéia era amamentar, pelo menos, até que a minha filha fizesse 1 ano, mas, depois do meu retorno ao trabalho e, conseqüentemente, a diminuição da minha produção e a experimentação dela aos novos sabores da vida... foi natural, a Malu não quis mais meu peito. Mas fiquei arrasada! Ela largou meu peito aos 8 meses de idade!

As fotos desse post foram tiradas ainda na maternidade.
Bom, apenas 5 em cada 100 mulheres não podem amamentar por problemas físicos. Esse, provavelmente, não é o seu caso, mas para os casos raros de mães que não podem amamentar, ainda existe uma saída: os bancos de leite humano.
Nossa! O post ficou enorme, mas eu espero que tenha sido esclarecedor.
Gostou das dicas? Me conte como foi o processo de amamentação com você?
Se precisar de alguma ajuda, me escreva!